No mês de março de 2026, durante o SXSW em Austin, Texas, a futurista Amy Webb apresentou um novo modelo para discutir as transformações tecnológicas e sociais. Em sua palestra, ela anunciou que deixaria de produzir os relatórios de tendências que elaborou por 15 anos e introduziu o conceito de “convergências”, que se refere às intersecções entre forças tecnológicas, econômicas e sociais, resultando em mudanças inevitáveis. A principal convergência identificada por Webb é chamada de Era dos Humanos Aumentados, que terá um impacto direto no setor fitness.
Compreendendo a Era dos Humanos Aumentados
Amy Webb descreveu Human Augmentation como a utilização combinada de tecnologia e biologia para aumentar habilidades físicas e cognitivas além do que é considerado natural. Esse conceito vai além da simples correção de deficiências; trata-se de empregar ferramentas tecnológicas como uma vantagem competitiva.
Durante sua apresentação, ela trouxe exemplos práticos que já estão em fase de desenvolvimento ou utilização. Entre eles, estão exoesqueletos que permitem maior resistência em caminhadas e escaladas sem causar fadiga, calças motorizadas para trilhas, tênis elétricos que auxiliam na corrida, camas com inteligência artificial que melhoram a qualidade do sono, interfaces cérebro-computador e óculos equipados com realidade aumentada.
Um ponto central destacado foi a possível desigualdade gerada entre aqueles com habilidades “naturais” e os que adotarem aprimoramentos tecnológicos ou genéticos, o que poderia intensificar rapidamente as diferenças de desempenho entre esses grupos.
Efeitos no mercado fitness
Webb enfatizou que o mercado fitness está em uma posição privilegiada dentro dessa convergência, uma vez que sua essência já reside na ampliação das capacidades humanas — promovendo mais força, resistência, saúde e autonomia. O diferencial apontado por ela no SXSW será a aceleração dessas habilidades através da adoção mais rápida e precisa da tecnologia.
Ela mencionou dispositivos projetados para melhorar a resistência durante atividades esportivas, sistemas inteligentes para monitorar sono e recuperação, além de wearables avançados que rastreiam frequência cardíaca, zonas de treinamento e a qualidade do sono como partes do ecossistema dedicado à ampliação humana. A evolução se dará por meio da rapidez nas respostas, precisão dos dados coletados e integração desses sistemas com práticas profissionais.
Personalização através da realidade aumentada
A futurista também ressaltou o uso de óculos de realidade aumentada com inteligência artificial por instrutores em academias como um exemplo já observado: essa tecnologia possibilita ao profissional acessar informações específicas sobre cada aluno em tempo real — incluindo histórico de treinos, frequência e evolução — sem interromper o atendimento durante as aulas.
Imagem: Divulgação
Webb afirmou que essa abordagem tecnológica não substitui o contato humano; pelo contrário, ela potencializa a capacidade do professor em tomar decisões mais rápidas e fundamentadas com base em dados atualizados.
Considerações para gestores do setor
A mensagem transmitida no SXSW indicou que o foco não deve ser apenas tecnológico, mas estratégico: é crucial que as organizações se preparem para múltiplas disrupções simultâneas ao invés de simplesmente reagirem a elas. Para os gestores das academias, a Era dos Humanos Aumentados representa uma questão de “quando” e “como” implementar essas mudanças, ao invés de “se”. As plataformas que integram aspectos como sono, recuperação e performance já estão disponíveis ou em avançado desenvolvimento, conforme mencionado por Webb.
No final de sua apresentação, Amy Webb fez um apelo para que as organizações desenhem ativamente seu futuro ao invés de deixá-lo nas mãos dos algoritmos ou fornecedores tecnológicos.
Com informações adicionais sobre tendências no setor fitness.

